A Educação Escolar Indígena tem sido um dos desafios da Missão Evangélica da Amazônia. As escolas em área ianomâmi existem informalmente há mais de 40 anos, mas somente a partir de 2003, a primeira escola foi reconhecida pela Secretaria de Educação do Estado de Roraima, sendo autorizada a atuar como Escola Estadual. Em 2009, outras três escolas receberam a autorização.
Junto com os benefícios, o reconhecimento trouxe também responsabilidades e desafios. Como escola estadual, os professores têm de prestar contas detalhadas com relação à frequência dos alunos, plano de aula, Projeto Político Pedagógico, regimento interno e grade curricular, entre outras coisas. Muitas vezes isso é complicado, pois a escolaridade dos ianomâmis é de 1ª a 4ª série e seus professores não têm o conhecimento técnico necessário para desempenhar essas funções sem supervisão. Estamos treinando os professores para que gradualmente assumam a educação escolar de seu povo. Nossas equipes de missionários que moram nas comunidades, além de lecionar, atuam no treinamento de professores, na produção de materiais didáticos na língua materna, e na orientação de todo o funcionamento e prestação de contas das escolas. Esses projetos têm um forte papel de valorização cultural, ajudando na preservação das línguas indígenas.
Essa tarefa não é fácil, pois além de todas essas atividades, nossa equipe tem o desafio de trabalhar na área lingüística, na tradução da bíblia, discipulado, manutenção do posto e no cuidado diário de suas famílias.
O apoio da missão na área educacional é muito importante, pois a educação escolar indígena é necessária. Sem ela muitos grupos continuariam vitimados por um processo de exclusão social, sem condições de conhecer e lutar por seus direitos, e desconhecendo os benefícios que o aprendizado tem na dinâmica de sua cultura. E quando falamos de culturas, inclusive da nossa, temos de lembrar que elas não são estáticas, vivem em constante mudança e adaptações, e são capazes de agregar novos valores, além de crescer a partir de conhecimentos, entre eles os que a educação escolar possibilita.
Esse trabalho também abre portas para que muitos indígenas tenham contato e conheçam a palavra de Deus, traduzida em sua própria língua, e o maravilhoso amor demonstrado por Jesus Cristo. Igrejas com lideranças fortes e autóctones também têm surgido, pois conhecendo e lendo a palavra, o Espírito Santo os tem conduzido a uma fé genuína.
Ainda temos muitos desafios, como por exemplo, oferecer a formação de 5ª a 8ª série para que os professores ianomâmis possam cursar o magistério indígena e ser devidamente regularizados na secretaria de Educação.
Orem por esses desafios! Queremos colaborar com esses povos de maneira integral, considerando o ser humano como um todo e suas necessidades em geral. Não é possível amar apenas com palavras e não fazer nada para solucionar a situação de injustiça e miséria que enfrentam. Não basta falar do amor de Jesus, é necessário vivê-lo e demonstrá-lo através do serviço.